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segunda-feira, setembro 15, 2008

Além da biometria: reflexos pessoais criam mecanismo perfeito de proteção

Redação do Site Inovação Tecnológica
11/09/2008
Além da biometria: reflexos pessoais criam mecanismo perfeito de proteção













Ponto cego do olho, onde nervo óptico e vasos sangüíneos impedem que se forme uma imagem.[Imagem: Freya Mowat]

Equipamentos biométricos, imagens da íris e programas de reconhecimento de assinaturas estão se tornando cada vez mais comuns, graças à crescente preocupação com a segurança na área da informática e do acesso a locais restritos.


Deficiências da biometria

Só que nenhum deles é perfeito, afirmam pesquisadores japoneses, alertando que todos esses equipamentos e procedimentos de segurança podem ser enganados por um invasor suficientemente sofisticado.

"[] a informação biométrica pode facilmente vazar ou ser copiada. Desta forma, é desejável criar uma autenticação biométrica que não exija que a informação biométrica seja mantida secreta," afirmam Masakatsu Nishigaki e Daisuke Arai, da Universidade de Shizuoka.

Além da biometria

E, segundo eles, existe uma solução: é possível elaborar um mecanismo perfeito de segurança utilizando os reflexos pessoais, que jamais poderão ser copiados, imitados ou forjados.

Os reflexos humanos não dependem de controle consciente. Assim, mesmo se as reações de uma pessoa forem vistas por alguém mau intencionado, esse potencial invasor jamais conseguirá repetir com precisão aqueles reflexos, porque ele adotará inconscientemente os seus próprios reflexos de forma inconsciente.

Ponto cego do olho

Para comprovar sua teoria, Nishigaki e Arai utilizaram a escotoma, também conhecida como ponto cego, uma área fixa na retina onde estão o nervo óptico e uma série de vasos sangüíneos, o que impede que se forme uma imagem nesse local. Esse ponto cego pode ser detectado pelo monitoramento de movimentos sutis da esquerda para a direita que nossos olhos fazem quando acompanham um objeto que se move da direita para a esquerda.

Usar somente o ponto cego, contudo, não garante segurança total. Segundo os cientistas, alguém poderia passar por uma cirurgia ou inventar algum tipo muito engenhoso de lente de contato capaz de enganar o sistema. Assim, não haveria ganhos significativos em relação ao reconhecimento da íris.

Movimentos reflexos

A deficiência pode ser resolvida utilizando-se a posição do ponto cego do olho para induzir movimentos sacádicos, uma troca reflexa repentina da posição do olho. A autenticação do usuário poderá ser feita apresentando um alvo na direção do ponto cego e fora dele, utilizando a tecnologia de rastreamento do olho para medir o tempo gasto pelo movimento reflexo. Cada padrão de resposta é único para cada indivíduo.

Segundo os pesquisadores, um método assim não poderia ser ludibriado por invasores mesmo que utilizando os mais sofisticados materiais, equipamentos ou mesmo cirurgias.

"Nosso método transforma as diferenças na informação biométrica fisiológica - o ponto cego - em diferenças nos reflexos humanos - movimentos sacádicos - e as utiliza para autenticação," afirmam eles.


Links desta notícia:

  1. Shizuoka University

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Entenda o que é e como funciona a biometria

DIÓGENES MUNIZ da Folha Online

"Seu corpo é sua senha". É desse princípio que parte a biometria. A palavra vem do grego: bios (vida) metron (medida). Trata-se de um estudo estatístico das qualidades comportamentais e físicas do ser humano. Na era do acesso --e principalmente do controle dele--, biometria virou sinônimo de instrumento de segurança. Hoje, o termo refere-se principalmente ao uso do corpo (impressões digitais, por exemplo) em mecanismos de identificação.


Aparelhos que lêem a íris para controle de acesso estão cada vez mais freqüentes

Segundo o dicionário "Michaelis", biometria é a ciência da aplicação de métodos de estatística quantitativa a fatos biológicos. Apesar de carregar um discurso cheio de "tecnologês", o conceito é tão velho e básico quanto a capacidade do homem de distinguir seus semelhantes fisicamente. No caso da identificação biométrica, porém, delega-se a função de diferenciar a uma máquina.Os aparelhos biométricos funcionam por meio da captura de amostras do ser humano --íris, retina, dedo, rosto, veias da mão, voz e até odores do corpo. Essa amostra é transformada em um padrão, que poderá ser comparado para futuras identificações. A biometria se baseia na idéia de que alguns traços físicos são exclusivos de cada ser e os transforma em padrões. A técnica foca as chamadas "mensurações unívocas" do ser humano.


Leitor de íris instalado em clínica de São Paulo registra clientes Controle de ponto,

identificação criminal e regulamentação de acesso são os usos mais comuns da tecnologica.

As possibilidades de utilização da biometria são proporcionais a suas implicações éticas. A introdução cada vez mais acelerada da tecnologia no dia-a-dia suscita discussões acaloradas sobre vigilância da sociedade e restrição da privacidade dos cidadãos.HistóricoOs primórdios da biometria acumulam pelo menos um milênio, segundo relata o especialista Ricardo Yagi, da empresa focada em aparelhos biométricos ID-Tech. Na dinastia Tang (800 D.C.), na China, impressões digitais eram grafadas no barro para confirmar a identidade do indivíduo em transações comerciais. Em 1686, na Espanha, o professor de anatomia Marcelo Malpighi pesquisou com detalhes as linhas, curvas e espirais da impressão digital para que, em 1892, Francis Galton, um antropólogo inglês, publicasse a primeira classificação dos tipos de impressão digital --utilizados até hoje. Yagi conta ainda que a impressão digital em tinta é usada para reconhecimento civil e criminal há ao menos cem anos. O FBI (Polícia Federal Americana) controla mais de 200 milhões de impressões digitais em seus bancos de dados há cerca de 30 anos.

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