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sábado, agosto 23, 2008

Relacionamento

Relacionamento é um fenômeno da realidade que representa uma interação (ligação ou conexão) entre entidades (elementos da realidade), com um significado relevante dentro de um mini-mundo.

Um relacionamento não possui existência nem identificação próprias. Para existir ele depende da existência das entidades que participam dele. Para ser identificado ele depende da identificação das entidades que participam dele.

Um relacionamento envolve no mínimo duas entidades (relacionamento binário), podendo envolver três entidades (relacionamento ternário) e assim sucessivamente.

Os relacionamentos mais comuns são os binários que são também os mais flexíveis pois exigem do usuário o conhecimento prévio de apenas duas entidades.



Não é muito comum mas podem existir relacionamentos entre relacionamentos ou entre entidades e relacionamentos.

"Relacionamento é uma associação entre entidades. Por exemplo, PAI-FILHO é um relacionamento entre duas pessoas (entidades)"[CHEN].

"Um relacionamento é uma associação, com um significado, entre entidades" [FURTADO].

"Um relacionamento entre duas classes de objetos (entidades-tipo) é um mapeamento que associa cada objeto de uma classe a um número de objetos (entidades), possivelmente nenhum, da outra classe"[VIDAL].

"Um relacionamento é uma percebida associação entre entidades no universo de discurso"[ISO].


Relacionamento

Entidade

Antes de tentarmos definir os conceitos de entidades e entidade-tipo, iremos recordar alguns conceitos da teoria dos conjuntos.

O conceito de conjunto como uma coleção arbitrária de objetos é provavelmente o mais básico conceito da matemática moderna. A noção de conjunto não é suscetível de definição precisa a partir de definições mais simples, ou seja, é uma noção primitiva, introduzida de modo explícito no século passado pelo matemático russo GEORG CANTOR.

Segundo N. BOURBAKI (THÉORIE DES ENSEMBLES): "Um conjunto é formado de elementos suscetíveis de possuírem certas propriedades e de terem entre si, ou com elementos de outros conjuntos, certas relações".

Entidade é "qualquer coisa" (fenômeno do tipo elemento da realidade) que possui existência própria ou identificação (identidade) própria, dentro de um determinado mini-mundo.

Em outras palavras, uma entidade (A) para existir ou para ser identificada, em um mini-mundo, independe da existência ou da identificação de qualquer outra entidade (B). Ou seja, se (B) deixar de existir (A) continuará a existir.

Uma Entidade pode ser um elemento com existência física: uma pessoa em particular, um carro, uma casa ou um empregado, ou pode ser um elemento com uma existência meramente conceitual: um curso, uma matéria.

"Uma entidade é uma coisa que pode ser identificada distintamente. Uma pessoa, companhia, evento são exemplos de entidades"[CHE].

"Uma entidade é alguma coisa sobre a qual armazenamos informações". [GAN].

"Uma entidade é uma pessoa, lugar, coisa, evento ou conceito a cerca dos quais a informação é registrada"[ATR].

"Uma entidade é um objeto que tem existência própria quando considerado no contexto de atividades da empresa. Uma entidade é descrita por seus atributos.

Por exemplo, a entidade empregado poderia ter os atributos nome, categoria, salário, etc."... [FUR].

"Uma entidade tem existência significativa no mundo real. Pode ser um objeto, um indivíduo, um conceito abstrato ou um evento"[VID].

"Entidade é uma coisa concreta ou abstrata existente no sistema e na qual estamos interessados. É algo sobre o qual queremos informações. É aquilo que se apresenta como um todo, alguma coisa que tem existência por si mesma" [SOU].

"Uma entidade é alguma coisa, concreta ou abstrata, no universo de discurso" [ISO].

"Entidade é “qualquer coisa” do mundo real que possui uma existência independente. Uma entidade pode ser um objeto com existência física: uma pessoa em particular, um carro, uma casa ou um empregado, ou pode ser um objeto com uma existência meramente conceitual: uma companhia, um curso numa universidade" [ELM89].

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Entidade

segunda-feira, dezembro 24, 2007

e-Reality - Introdução

e-Reality0
Bem vindos a home page sobre os princípios (fundamentos e essência) da Realidade e sua representação, simulação e manipulação em computadores - a Realidade Eletrônica (e-Reality).
"A imaginação é uma forma direta de Realidade Virtual. O que pode não ser tão óbvio é que a nossa experiência "direta" do mundo por meio dos sentidos também é Realidade Virtual, pois nossa experiência externa nunca é direta, nem mesmo sentimos os sinais nos nossos nervos diretamente – não saberíamos o que fazer com os fluxos de impulsos elétricos que eles carregam. O que experimentamos diretamente é uma representação em Realidade Virtual, convenientemente gerada para nós por nossa mente a partir de dados sensoriais e teorias inatas e adquiridas, isto é, programas sobre como interpreta- las. Nós, realistas, assumimos a visão de que a realidade está lá fora: objetiva, física e independente do que acreditamos a seu respeito. Mas nunca sentimos diretamente essa Realidade. Cada fragmento de nossa experiência externa é de Realidade Virtual. E cada fragmento do nosso conhecimento – incluindo nosso conhecimento dos mundos não físicos da lógica, matemática, filosofia e da imaginação, ficção, arte e fantasia – é codificado na forma de programas para a reprodução desses mundos no gerador de Realidade Virtual do nosso próprio cérebro. Portanto, não é apenas a ciência – raciocínio sobre o mundo físico – que envolve a Realidade Virtual. Todos os raciocínios, todos os pensamentos e todas as experiências externas são formas de Realidade Virtual." [David Deutsch]

e-Reality1

Figura 1

A Computação Eletrônica (e-Reality) é um instrumento que o ser humano utiliza, inicialmente, para simular e manipular a Realidade por meio de Dispositivos ou Artefatos Computacionais Eletrônicos, a semelhança do que fazemos com a Realidade em nossas mentes. Ou seja, ela é uma tentativa de reproduzir (simular, "virtualizar") o Mundo Real em Computadores Eletrônicos, como se fossemos dotados do poder de transformar tudo o que existe nele em símbolos matemáticos binários ("it for bit"). Além desse papel ela se propõe a utilizar a Realidade como fonte de inspiração para a implementação dos Artefatos Computacionais/Virtuais, utilizar os próprios Artefatos da Realidade como base de funcionamento para os Artefatos Virtuais e até, com um pouco mais de ousadia, explicar os Fenômenos da Realidade como Fenômenos Computacionais.

Com o uso de Computadores Eletrônicos, a Informática/Computação propicia a criação de imagens da Realidade (conjuntos de bits - mundos virtuais) que auxiliam o entendimento e a manipulação dessa própria Realidade. Face a essa característica, sua evolução tende para algo que iremos denominar Virtualidade, ou Hiper-Realidade ou e-Reality.

A e-Reality representa uma tentativa de busca, incorporação, expansão em abrangência e profundidade e integração de características de diversas áreas tradicionais da Informática/Computação, tais como: Realidade Virtual, Robótica, Vida Artificial, Inteligência Artificial, Jogos de Poder, dentre outras, tendo os seguintes propósitos, dentro dos seus respectivos Domínios (Mundos):
  1. Mundo Virtual - promover a compreensão dos Artefatos Virtuais (mecanismos de simulação, emulação ou virtualização do mundo real com o uso de computadores), nos seus diversos níveis, através da integração de conceitos das áreas de Realidade Virtual, Vida Artificial, Inteligência Artificial, Jogos de Poder, Sociedade Virtual, ...;
  2. Mundo Artificial - promover a compreensão sobre os Artefatos Artificiais (Robótica, ...) e sua dependência dos Artefatos Virtuais; e
  3. Mundo Híbrido - promover a compreensão sobre os artefatos cibernéticos (Cibernética, Nanotecnologia, Biotecnologia, ...) e a sua construção a partir dos princípios utilizados para os Artefatos Artificiais.

e-Reality

Figura 2


A e-Reality tem como um dos seus propósitos elucidar a influência dos Artefatos Computacionais (Virtuais, Artificiais e Cibernéticos) na vida das organizações e do homem, focando os aspectos relevantes dessa influência. Visa também propiciar um melhor entendimento dos princípios da Ciência da Computação/Informação e das "Engenharias" decorrentes assim como suas influências sobre a própria Realidade.




Figura 3

O que é a Realidade?

Qual o papel da Computação como Fenômeno da Computacional ou Fenômeno Virtual (Figura 4)?

Como os Fenômenos da Realidade, Fenômenos do Conhecimento, Fenômenos da Tecnologia, Fenômenos Computacionais ou Virtuais, Fenômenos Artificiais e os Fenômenos Híbridos se relacionam (Figura 4)?


São esssa as primeiras questões e representam a essência da e-Reality.

Figura 4

A Computação se especializou (profundidade) e ampliou seu escopo (abrangência) de forma não ordenada, ao longo do tempo, acarretando dificuldades para o seu entendimento e sua aplicação. Tentar estabelecer sua estruturação e seu comportamento parece ser um objetivo ambicioso porém, creio, com alguma utilidade. "Não quero revolucionar nada, só quero apresentar um ponto de vista sobre a computação".

Tendo isso em mente, podemos estipular a "missão" da e-Reality: "Buscar uma visão ordenada, integrada e consistente da Computação".

A e-Reality pretende avançar, indo além dos conceitos "dado, informação, conhecimento", penetrando em outras dimensões (níveis ou camadas) da Realidade, através da compreensão de um conjunto integrado de teorias, hipóteses, conjecturas e especulações sobre a Computação e a Realidade.

A e-Reality representa uma busca pelos limites da Computação na simulação / inspiração / utilização / manipulação da Realidade e a na constatação da Computação como um fenômeno que constitui a própria essência da Realidade.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Emergência

1.0 - Introdução

Emergência é o processo de formação de modelos complexos a partir de regras simples.

Este pode ser um processo dinâmico (ocorrendo através do tempo), como a evolução do cérebro humano através de milhares de gerações sucessivas; ou a emergência pode ocorrer em escalas de tamanhos diversos, como as interações entre um número macroscópicos de neurônios produzindo um cérebro humano capaz de pensar (mesmo pensando que neurônios indivíduas não tem consciência própria).

Para um fenômeno ser nomeado emergente ele deve geralmente ser inesperado e imprevisível por uma descrição simples.

Geralmente o fenômeno não existe ou existem apenas alguns traços no nível mais baixo. Assim, um fenômeno direto como a probabilidade de achar uma uva seca em uma fatia de bolo geralmente não requer a teoria da emergência para ser explicada. Pode ser no entando útil considerar a emergência da textura do bolo como um resultado complexo do processo de cozimento e mistura dos ingredientes.

Não há consenso entre os cientistas sobre como a emergência deve ser utilizada como explicação. Não parece possível decidir completamente quando um fenômeno deve ser classificado como emergente, e mesmo nos casos onde esta classificação é aplicada ela raramente explica o fenômeno de modo profundo. De fato, nomear um fenômeno como emergente é muitas vezes usado pela falta de outra explicação melhor.

2.0 - As propriedades da emergência

Um comportamento emergente ou propriedade emergente pode aparecer quando uma quantia de entidades (agentes) simples operam em um ambiente, formando comportamentos complexos no coletivo.

A propriedade em si é comumente imprevisível e imprescendente, e representa um novo nível de evolução dos sistemas. O comportamento complexo ou as propriedades não são a propriedade de nenhuma entidade em particular, e eles também não podem ser previstos ou deduzidos dos comportamentos das entidades em nível baixo. O formato e o comportamento dos rebanhos de pássaros é um bom exemplo de um comportamento emergente.

Uma razão pela qual o comportamento emergente ocorre é o número de interações entre os componentes de um sistema, que aumenta combinatóriamente com o número de componente, então permitindo potencialmente que uma série de novos e diferentes tipos de comportamentos apareçam.

Por exemplo, as possíveis interações entre grupos de moléculas crescem enormemente com o número de moléculas de modo que é impossível para um computador contar o número de arranjos possíveis mesmo para um sistema com apenas 20 moléculas.

Por outro lado, apenas a existência de um grande número de interações não é o suficiente para garantir o comportamento emergente; muitas das interações podem ser previsíveis ou irrelevantes, e muitas podem cancelar as outras.

Em alguns casos, um grande número de interações pode de fato trabalhar contra a emergência de comportamentos interessantes, criando uma grande quantidade de "ruído" que elimina qualquer "sinal" emergindo; o comportamento emergente pode precisar ser temporariamente isolado de outras interações antes de ter massa crítica o suficiente para poder se auto-suportar. Portano não é apenas o número de conexões que encoraja a emergência; também deve ser considerado o modo como estas conexões estão organizadas.

Uma organização hierarquica é um exemplo que pode gerar um comportamento emergente (um burocrata pode agir de um modo diferente do resto da população que não é burocrata); mas talvez mais interessante, o comportamento emergente pode também surgir de estruturas organizacionais mais descentralizadas, como no mercado. Em muito casos, o sistema tem que alcançar um nível de diversidade, organização e conectividade antes do comportamento emergente ocorrer.

Sistemas com propriedades emergentes podem parecer não seguir os principios da entropia e a segunda lei da termodinâmica, pois eles se formam e crescem intependente da falta de um comando ou controle central. Isto é possível porque sistemas abertos podem extrair as informações do seu ambiente.

A emergência ajuda a explicar porque a falácia da divisão é uma falácia. De acordo com a perspectiva emergente, a inteligência emerge das conexões entre os neurônios e, desta perspectiva, não é necessário propor uma "alma" para sustentar o fato de que os cérebros podem ser inteligentes, mesmo pensando que os neurônios individuais que o compõe não o são.

O comportamento emergente também é importante nos jogos e em sua criação. Por exemplo, o jogo do poker, especialmente nas formas sem limite, sem uma estrutura rígida, é largamente controlado por um comportamento emergente. Por exemplo, nenhuma regra requer que nenhum jogador dobre, mas geralmente a maioria dos jogadores o fazem. Devido ao jogo ser regido pelo comportamento emergente, jogar em uma mesa de poker pode ser completamente diferente de jogar em outra, enquanto as regras do jogo são exatamente as mesmas. Variações de jogos que se desenvolvem são exemplos da emergência, onde a catálise predomina na evolução dos jogos.

3.0 - Estruturas emergentes na Natureza

As estruturas emergentes são padrões que não são criados por um único evento ou regras. Não existe nada que comande o sistema para que ele forme um padrão, mas ao invés disso as interações de cada parte com o ambiente externo gera um processo complexo que leva à ordem. Pode-se concluir que as estruturas emergentes são mais que a soma de suas partes, pois a ordem emergente não irá surgir se as várias partes são simplesmente coexistentes; a interação destas partes é central.

Um exemplo biológico é uma colônia de formigas. A rainha não da as ordens diretas e não diz às formigas o que fazer. Ao invés disso, cada formiga reage a estímulos químicos deixados por outras larvas, outras formigas, intrusos e comida, e deixa para trás uma trilha química que, por sua vez, gera um estímulo para as outras formigas. Neste caso cada formiga é uma unidade autônoma que reage dependendo apenas de seus arredores e das regras genéticas codificadas para sua variedade de formiga. Tirando o fato da tomada de decisões centralizada, as colônias de formiga exibem um comportamento complexo e tem mostrado serem capazes de resolver problemas geométricos. Por exemplo, a colônia de formigas rotineiramente encontra a maior distância possível de todas as entradas da colônia para depositar os corpos mortos.

Alêm da emergência nas colônias de formigas, que é semelhante a outras estruturas emergentes nos insetos sociais, baseadas basícamete em feromônios e rastros químicos, a emergência também pode ser observada em rebanhos e cardumes. O arrebanhamento é um comportamento muito conhecido na maiorias das espécies de animais, de peixes a pássaros. Estruturas emergentes são uma estratégia favorita encontrada em muitos grupos de animais: colônias de formigas, colméia de abelhas, rebanhos de pássaros, rebanhos de mamíferos, cardumes de peixes, e nos lobos.

Estruturas emergentes podem ser encontradas em muitos fenômenos naturais, do domínio físico ou biológico. A estrutura espacial e o formato das galáxias são propriedades emergentes, que caracterizam a distribuição de energia e matéria em larga escala no universo. Fenômenos do clima com formas similares a furacões são propriedades emergentes também. Muito se especula que a própria consciência e vida sejam propriedades emergentes de uma rede de muitos neurônios interagindo e moléculas complexas, respectivamente.

A vida é a maior fonte de complexidade, e a evolução é o maior princípio ou força motora atrás da vida. Olhando por este ponto, a evolução é a maior razão para o crescimento da complexidade no mundo natural.

Existe também um ponto de vista que afirma que o começo e o desenvolvimento da evolução podem ser relacionados a uma propriedade emergente das leis da física em nosso universo.

4.0 - Sistemas Emergentes na Cultura e Engenharia

Os processos ou comportamentos emergentes podem ser vistos em um grande número de lugares, desde qualquer organismo biológico multicelular até as imagens de tráfico ou fenômenos organizacionais nas simulações por computadores e autômatos celulares.

O mercado de ações é um exemplo de emergência em uma grande escala. Pois ele regula os preços relativos de companhias ao redor do mundo, apesar de não possuir um líder; não há uma entidade que controla os trabalhos do mercado inteiro. Os agentes, ou investidores, tem conhecimento de apenas um número limitado de companhias em seu portfolio, e devem seguir as regras reguladoras do mercado. Através das interações de investidores individuais a complexidade do mercado com um todo emerge.

Exemplos populares de emergência são o Linux e outros projetos de código aberto, a World Wide Web (WWW), e a enciclopédia online Wikipedia. A emergência é, ao lado dos esforços dos fundadores desta, Jim Wales e Larry Sanger, a maior razão para o grande sucesso da Wikipedia. Todos estes projetos descentralizados e distribuídos não são possíveis sem um grande número de participantes ou voluntários. Nenhum participante indivídual conhece a estrutura inteira, todos conhecem e editam apenas uma parte, apesar de todos os participantes terem a sensação de estarem participando de algo maior do que eles mesmos. O retorno de cima para baixo aumenta a motivação e a união, o retorno de baixo para cima aumenta a variedade e diversidade. Esta união é responsável pela complexidade das estruturas emergentes.

A estruturas emergentes aparecem em diferentes níveis de organização. Auto-organização emergente aparece frequentemente nas cidades aonde não houve planejamento ou zoneamento predeterminado no modelo da cidade. O estudo interdisciplinar dos comportamentos emergentes geralmente não é considerado um campo homogêneo, mas dividido entre suas aplicações ou domínios dos problemas

5.0 - A emergência na física

Em física, a emergência é usada para descrever uma propriedade, lei ou fenômeno que ocorre em escala macroscópica (em tempo ou espaço) mas não em escalas microscópicas, devido ao fato de um sistema microscópico poder ser visto como um grande conjunto de sistemas microscópicos.

Alguns exemplos incluem:

Cor.

Partículas elementares como prótons ou elétrons não possuem cor; ela ocorre apenas quando estes são arranjados sobre a forma de átomos que absorvem ou emitem uma faixa de frequência específica de luz a qual representa uma cor. (Note que enquanto os quarks tem uma carácteristica chamada de mudança de cor pelos físicos, esta terminologia é meramente figurativa e não tem uma relação atual com o conceito no dia a dia de cor.)

Fricção. As partículas elementares não possuem fricção, ou mais precisamente as forças entre estas partículas são conservativas. Entretanto, a fricção emerge quando consideramos estruturas mais complexas de matérias, cujas superfícies podem absorver energia quando esfregadas uma contra a outra. Considerações similares são aplicadas aos conceitos emergentes na mecânica contínua tais como como a viscosidade e elasticidade.

Mecânica clássica. As leis da mecânica clássica podem ser consideradas como emergindo de uma caso limite das leis da mecânica quântica aplicadas a massas grandes o suficiente. O que pode gerar controvérsias, pois a mecânica quântica é comumente imaginada como "mais" complicada do que e mecânica clássica- assim como as regras de níveis mais baixos são geralmente "menos" complicadas (ou menos complexas) do que as propriedades emergentes.

Mecânica estatística. A mecânica estatística foi inicialmente criada usando o conceito de um conjunto grande o suficiente de modo que as flutuações podem ser de todo tipo mas ignoradas. Consequentemente, alguns conceitos tem que ser modificados ou abandonados completamente para sistemas miscroscópicos aonda a flutuações se tornam (reletivamente) grandes e importantes para uma verdadeira descração do sistema. Desse modo, pequenas quantias não exibem transições de fase de primeira ordem como derretimento, e com estes limites não é possível categorizar completamente um conjunto como líquido ou sólido, pois estes conceitos são (sem definições complementares) aplicáveis apenas a sistemas macroscópicos.

A temperatura é muitas vezes utilizada como um exemplo de um comportamento emergente macroscópico. Na dinâmica clássica, uma imagem de um momento instantâneo de um grande número de partículas em equilíbrio é o suficiente para encontrar a energia cinética média por grau de liberdade que é proporcional à temperatura. Para um pequeno número de partículas o momento instantâneo de um certo momento não é estatísticamente suficiente para determinar a temperatura do sistema. Entretanto, usando a hipótese de Ergoden, a temperatura pode ainda ser obtida com uma precisão abritraria por uma continua verificação do momento por um período de tempo longo o suficiente. Além disso, a distribuição canonica de (temperatura constante) é perfeitamente definida mesmo para uma única partícula.

Em algumas teorias da física de partículas, mesmo estruturas básicas como massa, espaço, e tempo são vistas como fenômenos emergentes, surgindo de conceitos mais fundamentais como o Bóson de Higgs ou cordas. Em algumas interpretações da mecânica quântica, a percepção de uma realidade deterministica, aonde todos os objetos possuem uma posição e momento definidos é atualmente uma fenômeno emergente, com o verdadeiro estado da matéria sendo descrito como ondas que não precisam necessáriamente de uma posição ou momento.

Em distinção às ciências comportamentais, uma propriedade emergente não precisa ser mais complicada do que as propriedades não emergentes que a geraram. Por exemplo, as leis da termodinâmica são relativamente simples, mesmo que as leis que governam as interações entres as partículas sejam complexas. O termo emergência na física é usado não com o significado geral de complexidade, mas para distinguir quais leis e conceitos se aplicam a escalas macroscópicas, e quais se aplicam a escalas microscópicas.

Deve ser enfatizado que em cada um desses casos que, embora um fenômeno emergente na escala macroscópica não existe diretamente na escala microscóspica, sua existência na escala macroscópica ainda pode ser explicada (muita vezes após uma quantia substancial de análise matemática rigorosa ou semi-rigorosa) pelas leis da física nas escalas microscópicas, levando em conta as interações entre todos os componentes deste objeto macroscópico.

Além disso, os fenômenos emergentes podem demonstrar porque uma teoria física reducionista, vendo todas a matéria em termos de suas partes componentes, que por sua vez obedecem uma quantia relativamente pequena de leis, pode gerar modelos de objetos complexos tais como formas de vida.

Entretanto, por outro lado, os fenômenos emergentes semver para nos prevenir contra o reducionismo greedy, porque a explicação microscópica de um fenômeno pode ser muito complicada ou de "nível baixo" para ter qualquer uso prático.

Por exemplo, se a química pode ser explicada com as emergência de interações na física das partículas, biologia celular como emergindo das interações em química, humanos como uma emergência de interações nas biologia celular, civilizações como uma emergência das interações entre humanos, e a história humana como uma emergência de interações entre civilizações, isto não implica que é particularmente fácil ou desejável tentar explicar a história humana em termos das leis da física de partículas. (isto não dissuadiu algumas pessoas de hipotetizar que fenômenos emergentes altamente complexos, como a história humana podem ser descritos em termos de leis mais simples que são comumente associadas a teorias mais fundamentais.)

Assuntos Relacionados:

  1. Teoria do caos
  2. Sistemas complexos
  3. Conexionismo
  4. Teoria construtural
  5. Sistema dinâmico
  6. Algoritmos Emergentes
  7. Epifenômeno
  8. Flocking
  9. Fractal
  10. Interação
  11. Mass action
  12. Redes neurais
  13. Auto-organização
  14. Ordem espontânea
  15. Sistemas pensando


Links Relacionados:

  1. Exploring Emergence: Uma introdução à emergência utilizando o Jogo da vida do MIT Media Lab
  2. Uma entrevista com Stephen Johnson
  3. Os princípios dos projetos emergentes
  4. Definição da Stanford Encyclopedia sobre Propriedades Emergentes


Fonte: Emergência - Wikipédia

domingo, novembro 04, 2007

Interação


Uma interação é um fenômeno da realidade.

É uma ligação (conexão) entre elementos da realidade.

Ela para existir depende da existência dos elementos que dela participam.

Ela pode ser física, biológica ou cognitiva.

Uma interação envolve pelo menos dois elementos.

Elemento


É um fenômeno da Realidade.

É qualquer coisa que existe “dentro da Realidade”.

Considera-se também como parte da realidade os estados mentais (Elementos de Cognição ou Elemento do Conhecimento) e os estados virtuais (Elementos Computacionais ou Elementos Virtuais).

sábado, outubro 20, 2007

Fenômeno - Elemento - Interação

Um fenômeno da realidade pode ser:
  1. um Elemento (Objeto, Entidade); ou
  2. uma Interação (Ligação ou Relacionamento) entre Elementos.

Um Elemento (Objeto, Entidade) do mundo real apresenta algumas características básicas:

  1. estado: é o próprio elemento num determinado momento do tempo;
  2. estrutura ou forma: é uma abstração dos estados que ele assume ao longo do tempo;
  3. localização: um elemento existem em um local e em um instante do tempo;
  4. impenetrabilidade: dois elementos distintos não ocupam o mesmo local no mesmo instante do tempo, constituindo a origem do espaço;
  5. interação: a característica acima propicia a existência de interações ente os elementos;
  6. comportamento (mudança de estado): as interações entre elementos provoca a mudança de seus estados o que chamamos de comportamento do elemento;
  7. irreversibilidade: as mudanças de estado são irreversíveis (entrópicas), constituindo a origem do tempo; e
  8. incerteza: as mudanças são incertas (não determinísticas), constituindo um dos fundamentos da existência.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Mini-Mundo

Mini-mundo é uma parcela do mundo real de interesse do usuário.

Equivale a Domínio do Problema, Domínio de Conhecimento ou Universo/Domínio de Discurso.

Tudo o que está fora do mini-mundo é porque é irrelevante ou "não existente".

Um mini mundo é um conjunto de fenômenos em interação, onde uma interação também é um fenômeno.

Cada fenômeno possui um estado em um determinado momento do tempo e as mudanças de estado são ocasionadas pelas interações entre os fenômenos de acordo com as leis da natureza.

Fenômenos podem ser elementos da realidade ou interações entre elementos.

Mini-Mundo é uma Parcela do Mundo Real sobre a qual se pretende absorver o Conhecimento Organizacional ou Conhecimento de Negócio (Requisitos de Informação e Regras de Negócio), analisar os problemas existentes, propor alternativas de solução, projetar e implementar uma solução escolhida (Domínio da Solução – Banco de Dados – Estrutura - Comportamento) e, posteriormente, implantar, operar e manter em funcionamento essa solução.

"Domínio de discurso, também chamado de universo de discurso ou domínio de quantificação, é uma ferramenta analítica usada na lógica dedutiva, especialmente na lógica de predicados. Indica o conjunto relevante de entidades as quais os quantificadores se referem. O termo "universo do discurso" geralmente se refere ao conjunto completo de termos usados num discurso específico, isto é, a família de termos semânticos ou lingüísticos que são específicos para uma certa área de interesse. Em Teoria dos Modelos, o termo "universo de discurso" se refere ao conjunto de entidades nas quais um modelo é baseado.

Uma base de dados é um modelo de algum aspecto da realidade de uma organização. É convencional chamar essa realidade de "universo de discurso" ou "domínio de discurso". Wikipédia

sexta-feira, setembro 07, 2007

Realidade como uma rede

All things are connected. In any specific system those connections may be sparse or plentiful, irrelevant or crucial. We propose that a continuum of connectivity exists, which allows us to treat all conventional specialisms as just special cases of a more general and universal model. This multi-level model, comprising standard operations, can apply to all aspects of our universe, taking into account not only science, but arts, humanities and spirit also - in other words, "Life, the Universe and Everything". We demonstrate how this is possible, and also show how such an approach, within an evolutionary context, can overcome the problems with relativistic truth and value in conventional thought. Intrigued ? Then read on... [Chris Lucas]

"As redes estão em todas as partes. O cérebro é uma rede de células nervosas conectadas por axônios e as próprias células são redes de moléculas ligadas por reações bioquímicas. As sociedades também são redes, constituídas por pessoas unidas por amizades, laços familiares e profissionais. Em uma escala mais ampla, redes alimentares e ecossistemas podem ser representados como redes de espécies. E redes permeiam a tecnologia: a Internet, as redes de energia elétrica e os sistemas de transporte são apenas alguns exemplos. A própria linguagem que usamos para transmitir essas idéias é uma rede, formada por palavras conectadas por padrões sintáticos. Mas, apesar da importância e do alcance das redes, os cientistas nunca compreenderam muito bem suas estruturas e propriedades. De que maneira as interações entre nós defeituosos em uma rede genética complexa resultam em câncer? Como a difusão ocorre tão rapidamente em certos sistemas sociais e de comunicação, causando epidemias de doenças e vírus de computador? Como algumas redes continuam a funcionar, após o colapso da maioria de seus nós?" [Albert- László Barabási]





A Realidade, segundo Capra [Tao da Física], é uma rede de relações onde as próprias relações se manifestam como objetos, interações (estruturas), estados, processos, eventos, sistemas, ...

No novo paradigma a ciência deve conceber a realidade como uma rede de relações. O campo de ação abrange uma teia de relações intrinsecamente dinâmicas, que não lida com verdades exatas.

A Realidade é uma rede interconexa de fenômenos (objetos / relações ou interações) que inclui o observador humano como um componente integrante, onde:




  1. a realidade é um todo indivisível, as suas divisões (dimensões, domínios, níveis, aspectos, visões, enfoques, pontos de vista, ...) são criações de seres cognitivos para efeitos de entendimento e manipulação da mesma;

  2. quaisquer das partes dessa rede constituem apenas padrões relativamente estáveis;
    de maneira correspondente, os fenômenos reais são entendidos por meio de uma rede de conceitos;

  3. nenhuma parte é mais fundamental do que qualquer outra;
    a realidade pode ser entendida a partir de suas partes (reducionismo) ou do todo (holismo), na realidade quando estamos nos referindo a partes ou todo, estamos abstraindo, com o propósito de obter entendimento. Na realidade não existem partes ou todo a realidade é única;

  4. os fenômenos da realidade podem ser enfocados como estruturas – dados/informações (enfoque estático ou estrutural) ou como processos (enfoque dinâmico ou comportamental);

  5. a realidade deve ser descrita com a inclusão do observador humano no próprio processo de descrição, isto é, a descrição é dependente do observador humano e do processo de conhecimento. O entendimento do processo de conhecimento deve ser incluído explicitamente na descrição dos fenômenos da realidade, a epistemologia é parte integrante de toda teoria científica;

  6. a realidade é uma rede de relações e também nossas descrições – conceitos, modelos e teorias – formam uma rede interconexa, representando os fenômenos observados. Nessa rede não existe nada primário ou secundário, nem quaisquer alicerces e tudo ser relaciona com tudo;

  7. todos os conceitos, modelos e teorias científicas são limitados e aproximados. Nunca existirá um entendimento completo e definitivo, nem verdades absolutas e sim descrições limitadas e aproximadas da realidade. Nenhum fenômeno isolado da realidade pode ser plenamente explicado, mas podem ser experimentados em nossa limitada totalidade;

  8. devemos distinguir, segundo Popper, com alguma clareza a:
  • Realidade Real – Realidade Única
  • Realidade Mental – Realidade Subjetiva
  • Realidade Teórica (Conceitos, Teorias e Modelos) –Realidade Objetiva.

A Realidade pode, então, ser vista como uma rede interconexa de fenômenos (elementos - objetos, entidades / interações - relações, ligações) que inclui o observador humano como um componente integrante, onde:



Os fenômenos reais, representados como elementos de rede onde um elemento de rede pode ser:

  1. um nó representando um fenômeno do tipo objeto, ou
  2. um arco representando uma ligação (interação entre fenômenos)

Os fenômenos do conhecimento são também fenômenos reais, representados como conceitos em rede onde um conceito (elemento de conhecimento) pode ser:

  1. um nó representando um termo ou tipo ou classe
  2. um arco representando uma relação ou associação entre conceitos.

Um nó da rede pode encapsular uma outra rede.




Essas redes podem ser organizadas em níveis:





Realidade e Conhecimento - Definições Iniciais

No coração da realidade não existe uma resposta e sim uma pergunta - "Porque existe alguma coisa ao invés de nada ?" [John Horgan]

Realidade (do latim 'realitas' significa "coisa") para o senso comum significa "tudo aquilo o que existe". Pode-se, no entanto, ampliar a sua abrangência incluindo o que não é perceptível, acessível ou entendido pela ciência ou pela filosofia.







Realidade também pode ser entendida como a propriedade do que é real.






Sobre a realidade só podemos elaborar hipóteses (opiniões, crenças, mitos, dogmas, teorias, modelos, visões, abordagens, visões do mundo) que são agrupadas em religiões, filosofias, ciências, paradigmas, através de alguma linguagem (textual, gráfica ou sonora), com o propósito de obtermos entendimento (elaborar explicações e realizar previsões) e a partir dessas hipóteses, experimentar a realidade observando e manipulando (utilizando e construindo) os seus fenômenos.








Para começarmos a responder a pergunta sobre o que é a realidade? Podemos dizer que ela é composta de fenômenos (objetos físicos ou estados materiais de objetos físicos) e que o nosso conhecimento é uma representação dessa realidade, podendo ser especializado em conhecimento subjetivo (mundo de estados de consciência, de estados mentais, ou de disposições comportamentais para agir) e conhecimento objetivo (estados objetivos de pensamentos ou hipóteses, conjecturas, teorias, modelos, argumentos).




Nosso conhecimento objetivo, é um conjunto de hipóteses sobre a realidade, que representam o nosso entendimento sobre os seus fenômenos e que utilizamos para experimentar outros fenõmenos dessa própria realidade.





A realidade é um conjunto de fenômenos sobre os quais buscamos entendimento, para podermos existir, sobreviver, conhecer e exercer o poder (competência) sobre os mesmos. Fazemos isso procurando classificá-los segundo suas características, medindo os valores dessas características, enfocando-os segundo os diferentes domínios, dimensões e níveis dessa realidade. A realidade - segundo a abordagem Fenomenalista - é algo que é percebido e abstraído como um conjunto de coisas (fenômenos), onde o que se percebe - na "realidade" - são os estados dos fenômenos que a constituem, tudo o mais são meramente abstrações (conceitos) construídas a partir da observacao desses estados das coisas da realidade (fenômenos).



O cérebro humano capta inúmeras freqüências dimensionais, interpreta-as e, por meio delas, "cria a realidade". Assim sendo, elementos não sujeitos as leis do espaço e do tempo - conceitos que constituem hipóteses - são integrados aos elementos da realidade em nossas mentes.



Hipóteses são construídas sobre os fenômenos da realidade. Uma hipótese pode ser um conceito ou uma regra que correpondem respectivamente a elementos da realidade e as leis da natureza.



As leis da natureza condicionam os elementos da realidade assim como as regras condicionam os conceitos.



Um elemento real pode ser um objeto ou uma interação entre objetos.



Um conceito pode ser uma clase ou uma associação.



Conceitos representam elementos da realidade e podem se relacionar com outros conceitos.



Assim as Noções (Abstrações, Conceitos) de Realidade, Coisas, Estados, Abstrações e Conceitos já são Abstrações - talvez as mais básicas, sem as quais não iremos conseguir obter entendimento sobre a Realidade.



Para que possamos adquirir entendimento sobre o conceito Realidade, devemos abstraí-lo como um conjunto de Fenômenos sobre os quais, também, buscamos entendimento, (Conceitos) com o propósito de podermos prever, manipular e controlar tais Fenômenos.



Os Fenômenos da Realidade podem ser entendidos a partir das Características que lhes atribuímos (Qualificação do Fenômeno) e dos Valores dessas Características correspondentes ao seu Estado quando de sua atribuição (Quantificação).



Links com definições sobre a Realidade:



  1. Realidade - Wikipédia

  2. Reality - Wikipédia