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sábado, janeiro 05, 2008

Células-tronco: expectativas e realidade - Scientific American Brasil


Células-tronco: expectativas e realidade - Scientific American Brasil


Há um longo caminho a percorrer antes que sejam feitos testes com CTs embrionárias em humanos

por Lygia V. Pereira

A luta pela aprovação do Projeto de Lei de Biossegurança, liberando o uso de embriões humanos para a extração de células-tronco (CTs) embrionárias, gerou enorme expectativa na população, que se pergunta: após a aprovação, quantos pacientes sairão das filas de transplantes? Na verdade, nenhum hoje, nenhum até mesmo nos próximos anos, mas provavelmente muitos a longo prazo, agora que podemos trabalhar com essas células no Brasil. Com a poeira do sensacionalismo baixada, quais são as reais possibilidades das CTs embrionárias?

As CTs embrionárias são o tipo mais versátil até hoje identificado em mamíferos, possuindo a formidável capacidade de dar origem a todos os tecidos do corpo. Desde a década de 1980 faz-se pesquisas com as CTs em-brionárias de camundongos. Descobrimos como transformá-las no laboratório em células da medula óssea, do músculo cardíaco, em neurônios, entre outras. E quando transplantadas em animais doentes, as células derivadas foram capazes de aliviar os sintomas de diversas doenças - leucemia, doença de Parkinson até paralisia causada por trauma da medula espinhal.

As primeiras linhagens de CTs embrionárias humanas surgiram em 1998, e junto com elas a enorme expectativa de seu uso terapêutico. Porém, antes de começarmos testes clínicos injetando CTs embrionárias em seres humanos, temos algumas questões fundamentais que devem ser resolvidas.

Questões de segurança - quando injetadas em camundongos, essas células podem formar tumores. Antes de testá-las em pacientes, temos que primeiro aprender a controlar sua diferenciação para que elas gerem somente o tecido que nos interessa, e não tumores.

No ramo da vida sintética - Scientific American Brasil


No ramo da vida sintética - Scientific American Brasil

"Um dia a biologia poderá produzir organismos artificiais com fins terapêuticos.

por James J. Collins
por Sam Haffe

À primeira vista, as colônias de bactérias que pontilham uma placa de Petri no laboratório de James J. Collins na Universidade de Boston parecem nada ter de especial. Cada bactéria Escherichia coli foi geneticamente alterada para fabricar uma proteína específica assim que a densidade populacional da colônia em torno dela atingir um nível pré-definido.

Um cético poderia bocejar. Afinal de contas, engenharia genética não é algo novo. Mas a essas células não foi apenas agregado um gene estranho. Collins inseriu uma rede genética inteira - ele incorporou muitos genes que interagem não só entre si como também com o maquinário genético natural da célula. Nesse caso, colocou uma rede de quorum-sensing (algo como percepção de quórum - a comunicação entre as bactérias) de uma Vibrio fischerii. Se a engenharia genética convencional é como trocar pontas de uma chave de fenda, ele mudou o conteúdo inteiro de uma caixa de ferramentas.

Collins, de 39 anos, faz parte de um novo campo de estudo denominado biologia sintética, que cria novos ingredientes para a receita da vida, entre eles ácidos nucléicos, aminoácidos e peptídios. Alguns cientistas esperam até mesmo poder fabricar um organismo artificial. A disciplina ainda está em estágio incipiente, no qual jovens e brilhantes cientistas desafiam-se com experimentos que tentam provar conceitos e publicam artigos com páginas e mais páginas de fórmulas matemáticas. Collins, por outro lado, é o primeiro a criar tecnologias comerciais em estágio avançado de desenvolvimento. E prova que a biologia sintética está pronta para o mercado.

A mais promissora dessas tecnologias é um RNA riborregulador, que Collins descreveu pela primeira vez em 2004. Ele consiste em uma seqüência de DNA que, com a ajuda de um vírus geneticamente modificado, integra o genoma de uma bactéria hospedeira. O DNA então cria um RNA mensageiro que se liga ao ribossomo (a fábrica de proteínas da célula), de modo a bloquear a produção de uma proteína específica. O regulador pode também desbloquear o ribossomo e ordenar que fabrique aquela proteína. Basicamente, o riborregulador permite que os cientistas comandem a produção de proteína com cerca de 100% de precisão e eficiência..."